Na última parte da série, vimos sobre o primeiro laboratório de Psicologia e sobre a burrada da eugenia. Agora, vamos discutir outro lado do funcionalismo, sem relação tão estreita com as idéias de Galton. E vamos fazer isso falando especificamente de um dos maiores psicólogos que já existiu: William James.
James escreveu sobre tudo. Desenvolveu, com o amigo Peirce, o pragmatismo, do qual vou falar em outro post. Ao mesmo tempo em que escreveu o livro “Princípios de Psicologia”, afirmou não ser psicólogo. Do mesmo modo que defendeu uma Psicologia científica, estudava experiências religiosas místicas. Vamos ver o que essa personagem disse.
No seu livro chave, os “Princípios”, James defendeu que a Psicologia não deve se focar em descobrir os elementos da experiência, mas sim no estudo das pessoas vivas em sua adaptação ao ambiente. Ou seja, ele deslocou o objeto de estudo da Psicologia da estrutura dos processos mentais para o funcionamento desses processos na interação total do organismo com o ambiente. Foi uma mudança fantástica, à qual muitos psicólogos aderiram depois do autor. Para James, a consciência era um fluxo constante e esta é a razão pela qual dividi-la seria improfícuo. Além disso, a consciência nunca se repete e depende de idiossincrasias de cada pessoa.
Para o autor, era preciso verificar qual a importância biológica da consciência. Se ela estava presente nos seres humanos é por que ela havia sido selecionada pela pressão natural. James concluiu que a consciência tinha a importante função de nos permitir escolher. O autor havia experienciado um período de depressão, do qual escapou quando disse a si mesmo que seu primeiro novo ato seria acreditar no livre arbítrio. É provavelmente daí que esta postulação importante de consciência como possibilidade de escolher tenha se originado.
Uma das mais interessantes contribuições de James foi no estudo das emoções. Antes dele, acreditava-se que a emoção era um processo em que uma situação do ambiente produz uma mudança mental que, então, provoca reações corporais. Ou seja, primeiro muda-se o pensamento e este muda o corpo. James postulou que a ordem era a inversa. Uma situação muda primeiramente o corpo, e a percepção da mudança do corpo é a emoção. James parecia raciocinar sempre avaliando a importância adaptativa dos comportamentos. Faz sentido pensar que reações corporais, presentes em animais “incapazes” de pensar, sejam as responsáveis pela sobrevivência das espécies.
A obra de James influenciou psicólogos como Thorndike, do qual falarei futuramente. Além disso, seu pragmatismo foi adotado por uma das mais valiosas vertentes da Psicologia: a análise do comportamento.
No próximo texto vou arriscar falar de Psicanálise. Conheço pouco dessa ciência e agradeço colaborações e até convidados para escrever este texto para mim. Penso em dois colegas: Marcus, de Goiás, e Lucas, de Santa Catarina. Algum de vocês topa?
Enquanto isso, vejam:
O que é a Psicologia – introdução
O que é a Psicologia – Parte 1: os primórdios filosóficos
O que é a Psicologia – Parte 2: os primórdios da biologia
O que é a Psicologia – Parte 3: o início da Psicologia I
O que é a Psicologia – Parte 4: o início da Psicologia II